Fatores explicativos do gerenciamento de resultados por restos a pagar nos municípios brasileiros

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14392/asaa.2026190106

Palavras-chave:

Gerenciamento de Resultados;, Restos a pagar, Municípios, Orçamento

Resumo

Objetivo: Analisar a relação de fatores políticos, sociais, fiscal-financeiros, econômicos e pessoais com os accruals discricionários orçamentários mensurados por meio dos restos a pagar nos municípios brasileiros.

Método: Utilizou-se um modelo orçamentário para mensurar o gerenciamento de resultados (GR) via restos a pagar, aplicado a 27.688 observações de municípios brasileiros (2015–2023), com estimação por painel dinâmico com defasagens de um e dois anos. Reconhece-se como limitação que os restos a pagar capturam tanto restrições operacionais quanto escolhas discricionárias deliberadas, sem distinção integral entre ambas.

Resultados: Os resultados forneceram evidências de associação entre restos a pagar e GR, com indícios marginais de maior acumulação discricionária em anos eleitorais e pré-eleitorais. Despesas com saúde e educação mostraram-se negativamente associadas ao GR, o que se explica primariamente pelas vinculações constitucionais obrigatórias (pisos de 15% e 25%) e, complementarmente, pela visibilidade política desses gastos. Despesas com pessoal apresentaram relação positiva e estatisticamente mais robusta. Transferências do ICMS e PIB defasado mostraram associação positiva marginal. A presença de gestoras associou-se negativamente ao GR, resultado interpretado como exploratório, dado que parte do efeito pode ser mediada por características estruturais dos municípios e não por atributos comportamentais do gestor.

Contribuições: O estudo amplia a compreensão do GR municipal ao incorporar fatores políticos, fiscais, econômicos e características dos gestores, contribuindo para o debate sobre qualidade da informação contábil governamental no Brasil.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Adams, R. B., & Funk, P. (2012). Beyond the glass ceiling: does gender matter?. Management science, 58(2), 219-235.

Afonso, A., & Jalles, J. T. (2014). Fiscal composition and long-term growth. Applied Economics, 46(3), 349-358.

Afonso, J. R. R., & Araújo, É. A. (2000). A capacidade de gastos dos municípios brasileiros: arrecadação própria e receita disponível. Cadernos de Finanças Públicas, 1(1), 19-30.

Allen, E. J., Larson, C. R., & Sloan, R. G. (2013). Accrual reversals, earnings and stock returns. Journal of accounting and economics, 56(1), 113-129.

Alves, M. A., & Pederiva, J. H. (2016). O processo orçamentário federal e a execução das despesas em dezembro: Estratégia de planejamento orçamentário? Senado Federal. https://www12.senado.leg.br/orcamento/documentos/estudos/tipos-de-estudos/orcamento-emdiscussao/edicao-25-2016

Anessi-Pessina, E., & Sicilia, M. F. (2020). Do top managers’ individual characteristics affect accounting manipulation in the public sector? Journal of Public Administration Research and Theory, 30(3), 465-484.

Araújo, R. J. R., Queiroz, D. B., & Paulo, E. (2023). Incentivos eleitorais e o gerenciamento de resultados orçamentários por meio dos restos a pagar. Revista de Administração Pública, 57(6), 2022–0382.

Balaguer-Coll, M. T,: Ivanova-Toneva, M. (2019). The importance of spatial effects in municipal debt: La importancia de los efectos espaciales en la deuda municipal. Revista de Contabilidad-Spanish Accounting Review, 22(1), 61–72.

Baldissera, J. F., et al. (2020). Influência dos aspectos socioeconômicos, financeiro-orçamentários e político-eleitorais na transparência dos governos locais. Revista de Administração Pública, 54, 340-359.

Barro, R. J., et al. (1996). Inflação e crescimento. Revisão - Federal Reserve Bank of Saint Louis, 78, 153-169.

Becker, G. S. (1964). Human capital: A theoretical and empirical analysis, with special reference to education. National Bureau of Economic Research.

Benito, B., & Bastida, F. (2009). The determinants of the municipal debt policy in Spain. Journal of Public Budgeting, Accounting & Financial Management, 16(4), 492-525.

Braga, I. A., & Bezerra Filho, J. E. (2015). Convergência às NBCASP e ao MCASP: Um estudo sobre os municípios pernambucanos em 2014. X Congresso ANPCONT.

Brollo, F., & Troiano, U. (2016). What happens when a woman wins an election? Evidence from close races in Brazil. Journal of Development Economics, 122, 28-45.

Buchanan, J. M., & Tullock, G. (1962). The calculus of consent: Logical foundations of constitutional democracy. Michigan: University of Michigan Press.

Buchanan, J. M. (2003). Public choice: The origins and development of a research program. Champions of Freedom, 31, 13-32.

Caldas, O. V., Costa, C. M., & Pagliarussi, M. S. (2016). Corrupção e composição dos gastos governamentais: Evidências a partir do Programa de Fiscalização por Sorteios Públicos da Controladoria-Geral da União. Revista de Administração Pública, 50, 237-264.

Campos, F. A. O., Castelar, I., & Soares, R. B. (2018). Fatores associados à corrupção municipal em transferências de recursos da União. Nova Economia, 28, 879-911.

Christiaens, J., Vanhee, C., Manes-Rossi, F., Aversano, N., & Van Cauwenberge, P. (2015). The effect of IPSAS on reforming governmental financial reporting: An international comparison. International Review of Administrative Sciences, 81(1), 158-177.

Costa, F. M., & Leão, F. H. F. C. (2021). Gerenciamento de resultados e ciclo eleitoral em municípios brasileiros. Revista de Administração Pública, 55(3), 697–715.

Crozatti, J., et al. (2022). O gasto orçamentário e o desempenho escolar dos municípios paulistas: relações entre o elemento de despesa – objeto do gasto orçamentário – e o IDEB do ensino fundamental de 2008 a 2017. Revista Planejamento e Políticas Públicas, 61, 143–171.

Cruz, C. F.; Silva, L. M.; Santos, R. (2009). Transparência da gestão fiscal: um estudo a partir dos portais eletrônicos dos maiores municípios do Estado do Rio de Janeiro. Contabilidade Gestão e Governança, 12(n3).

Da Silva Suzart, J. A., Zuccolotto, R., & da Rocha, D. G. (2018). Federalismo fiscal e as transferências intergovernamentais: um estudo exploratório com os municípios brasileiros. Advances in Scientific and Applied Accounting, 127-145.

De Paiva Ribeiro, C. P., et al. (2019). Transferências constitucionais no Brasil: Um estudo bibliográfico sobre o FPM-Fundo de Participação dos Municípios. Revista Contemporânea de Contabilidade, 16(39), 44-65.

Dechow, P. M., Sloan, R. G., & Sweeney, A. P. (1995). Detecting earnings management. The Accounting Review, 70(2), 193-225.

Dechow, P. M., Hutton, A. P., Kim, J. H., & Sloan, R. G. (2012). Detecting earnings management: A new approach. Journal of accounting research, 50(2), 275-334.

Dollar, D., Fisman, R., & Gatti, R. (2001). Are women really the “fairer” sex? Corruption and women in government. Journal of Economic Behavior & Organization, 46(4), 423-429.

Donatella, P.; Tagesson, T. (2021). CFO characteristics and opportunistic accounting choice in public sector organizations. Journal of Management and Governance, 25 509-534.

Donatella, P. (2020). Is political competition a driver of financial performance adjustments? An examination of Swedish municipalities. Public Money and Management, 40(2), 122-130.

Downs, A. (1957). An economic theory of political action in a democracy. Journal of Political Economy, 65(2), 135-150.

Eigenstuhler , D. P., Dal Magro, C. B., & Mazzioni, S. (2023). Habilidade gerencial e a conformidade contábil-fiscal: Estudo cross-country. Revista Catarinense da Ciência Contábil, 22, 4.

Ferreira, A. (2023). Mayor re-election and earnings management: Evidence from Portuguese municipalities. Journal of Public Budgeting, Accounting & Financial Management.

Ferreira, A., Carvalho, J., & Pinho, F. (2013). Earnings management around zero: A motivation to local politician signalling competence. Public Management Review, 15(5), 657-686.

Fisman, R., & Gatti, R. (2002). Decentralization and corruption: Evidence across countries. Journal of Public Economics, 83(3), 325-345.

Flynn, S., & Pessoa, M. (2014). Prevention and management of government arrears. International Monetary Fund.

Hair, J. F., Black, W. C., Babin, B. J., Anderson, R. E., & Tatham, R. L. (2009). Análise multivariada de dados. Bookman editora.

Heald, D., Hodges, R. (2015). Will “austerity” be a critical juncture in European public sector financial reporting? Accounting, Auditing & Accountability Journal, 28(6), 993-1015.

Healy, P. M., & Wahlen, J. M. (1999). A review of the earnings management literature and its implications for standard setting. Accounting Horizons, 13(4), 365-383.

Hines Jr, J. R., Thaler, R. H. (1995). Anomalies: The flypaper effect. Journal of economic perspectives, 9(4), 217-226.

Ingram, R., & Copeland, R. (1981). Municipal accounting information and voting behavior. The Accounting Review, 56(4), 830-843.

Jones, J. (1991). Earnings management during import relief investigations. Journal of Accounting Research, 29(2), Autumn.

Kirsch, S. (2018). Engaged anthropology: Politics beyond the text. Univ of California Press.

Kuhl, C. A., & Murcia, F. D. R. (2017). A Influência dos ciclos políticos e da ideologia político-partidária na qualidade informacional dos resultados das sociedades de economia mista.

Lanis, G. P.; Bueno, N. P. (2020). Fatores que influenciam a eficiência da gestão orçamentária anual. Gestão & Planejamento-G&P, 21.

Laurinho, Í. S., da Silva Dias, L. N., & de Mattos, C. A. C. (2017). Corrupção e ineficiência em licitações de governos locais e desenvolvimento humano: Novas reflexões. Revista de Contabilidade e Organizações, 11(30), 57-70.

Leite, C. K. S. (2005). O processo de ordenamento fiscal no Brasil na década de 90 e a Lei de Responsabilidade Fiscal [Tese de Doutorado]. Universidade de São Paulo, São Paulo, SP.

Lima, C. A. M. C., Boente, D. R., & Stefanelli, N. O. (2024). Determinantes do cumprimento das despesas com pessoal e do resultado primário nos estados brasileiros: Uma análise de 2017 a 2022. Revista de Administração Pública, 58(3), e2023–0321.

Liu, C.; Mikesell, J. L. (2014). The impact of public officials’ corruption on the size and allocation of US state spending. Public administration review, 74(3), 346-359.

Malheiro, B. F. (2018). Fatores explicativos da efetividade da gestão municipal: uma análise empírica do contexto brasileiro [Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Rio Grande do Norte].

Martinez, A. L. (2008). Detectando earnings management no Brasil: Estimando os accruals discricionários. Revista Contabilidade & Finanças, 19(46), 7-17.

Massardi, W. O., & Abrantes, L. A. (2015). Esforço fiscal, dependência do FPM e desenvolvimento socioeconômico: um estudo aplicado aos municípios de Minas Gerais. REGE-Revista de Gestão, 22(3), 295-313.

Melo, M. A., Pereira, C., Souza, S. (2014). Why do some governments resort to ‘creative accounting’ but not others? Fiscal governance in the Brazilian federation. International Political Science Review, 35(5), 595-612.

Pereira, J. M. (2017). Avaliação dos efeitos da crise econômica-política-ética nas finanças públicas do Brasil. Revista Ambiente Contábil, 9(2), 117-141.

Mattei, T. F.; Bezerra, F. M.; De Mello, G. R. (2018). Despesas públicas e o nível de desenvolvimento humano dos estados brasileiros: uma análise do IDHM 2000 e 2010. Race: revista de administração, contabilidade e economia, 17(1), 29-54.

Okere, W., Abubakar, S., & Adegbite, F. (2018). Public sector accounting standards and quality of financial reporting: A case of Ogun State Government Administration in Nigeria. Business and Management Research Journal, 7(7), 76-81.

Ott, K., Bronić, M., Stanić, B., Klun, M., & Benčina, J. (2019). Determinants of online local budget transparency in Croatia and Slovenia. Central European Public Administration Review, 17(2), 167–187.

Piccoli, M. R., & Arpini, M. (2018). Accountability e os motivos que ensejaram a rejeição de contas dos municípios catarinenses. Revista de Administração e Contabilidade da FAT, 10(1).

Pinho, J. A. G. D., & Sacramento, A. R. S. (2004). Transparência na administração pública: o que mudou depois da lei de responsabilidade fiscal? Um estudo exploratório em seis municípios da região metropolitana de Salvador. ENCONTRO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E GOVERNANÇA DA ANPAD, 1.

Pinnuck, M., & Potter, B. N. (2009). The quality and conservatism of the accounting earnings of local governments. Journal of Accounting and Public Policy, 28(6), 525-540.

Plöckinger, M., Aschauer, E., Hiebl, M. R., & Rohatschek, R. (2016). The influence of individual executives on corporate financial reporting: A review and outlook from the perspective of upper echelons theory. Journal of Accounting Literature, 37(1), 55-75.

Prado Neto, J. B. D., Santos, L. C., Lima, V. A., & Oliveira, C. R. (2021). Características dos municípios e as irregularidades apontadas pelo controle externo estadual: Evidências empíricas para o Estado de Mato Grosso. Revista de Ciências Contábeis RCiC-UFMT, 12(23), 1-20.

Rakhman, F., & Wijayana, S. (2019). Determinants of financial reporting quality in the public sector: Evidence from Indonesia. The International Journal of Accounting, 54(3), 1950009.

Raupp, F. M. (2016). Realidade da transparência passiva em prefeituras dos maiores municípios brasileiros. Revista Contemporânea de Contabilidade, 13(30), 34-52.

Schipper, K. (1989). Commentary on earnings management. Accounting Horizons.

Shi, M., & Svensson, J. (2006). Political budget cycles: Do they differ across countries and why? Journal of Public Economics, 90(8-9), 1367-1389.

Shleifer, A., & Vishny, R. W. (1993). Corruption. The Quarterly Journal of Economics, 108(3), 599-617.

Silva, G. J. C. da, & Scatolin, R. S. (2012). Gastos públicos e crescimento econômico recente dos estados brasileiros. Revista Economia & Tecnologia, 8(3).

Silva, L., Costa, C., Castro, M., & Araújo, E. (2021). A reeleição e a eficiência dos municípios brasileiros sob a perspectiva da teoria da escolha pública. Revista de Contabilidade da UFBA, 15(1), 1-18.

Silva, W. A. O., Bruni, A. L. (2019). Variáveis socioeconômicas determinantes para a transparência pública passiva nos municípios brasileiros. Revista de Administração Pública, 52(2),415-431.

Simon, H. A. (2013). Administrative behavior. Simon and Schuster.

Sousa, K. M. d., & Monte, P. A. D. (2023). Transferências intergovernamentais são capturadas pelos servidores municipais? Os determinantes da diferença salarial entre o setor público e o setor privado. Revista de Administração Pública, 57(4), 76-109.

Tingjin, L. (2012). The promotion logic of prefecture-level mayors in China. China: An International Journal, 10(3), 86-109.

Vicente, E. F. R., & Do Nascimento, L. S. (2012). A efetividade dos ciclos políticos nos municípios brasileiros: um enfoque contábil. Revista de Contabilidade e Organizações, 6(14), 106-126.

Vieira, F. S., & Santos, M. A. B. D. (2018). Contingenciamento do pagamento de despesas e restos a pagar no orçamento federal do SUS. Revista de administração pública, 52(4), 731-739.

Wasserstein, R. L., Schirm, A. L., & Lazar, N. A. (2019). Moving to a world beyond “p< 0.05”. The American Statistician, 73(sup1), 1-19.

Zuccolotto, R., & Teixeira, M. A. C. (2014). As causas da transparência fiscal: Evidências nos estados brasileiros. Revista Contabilidade & Finanças, 25, 242-254.

Downloads

Publicado

2026-06-25

Como Citar

Jesus Oliveira, P. H., Brunozi Júnior, A. C., Rocha , T. C. da, & Raupp, F. M. (2026). Fatores explicativos do gerenciamento de resultados por restos a pagar nos municípios brasileiros. Advances in Scientific and Applied Accounting, 19(1), 115–131/132. https://doi.org/10.14392/asaa.2026190106

Edição

Seção

ARTIGOS