Equilíbrio Prudente de Tomada de Risco

Como a Governança Corporativa Canaliza o Apetite ao Risco do Executivo nos Sistemas de Remuneração Variável

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14392/asaa.2026190108

Palavras-chave:

Remuneração Executiva, Remuneração Variável, Apetite ao Risco do Executivo, Governança Corporativa, Teoria da Agência

Resumo

Objetivo: Examinamos como a eficácia da remuneração variável por desempenho (PFP) no alinhamento do comportamento gerencial na criação de valor para os acionistas depende da interação entre o apetite ao risco do executivo e a qualidade da governança corporativa. Propomos um “Equilíbrio Prudente de Tomada de Risco” para explicar essa interação e seus efeitos sobre os incentivos.

Método: A amostra compreende 1.106 observações empresa-ano de companhias listadas na B3 (2018–2024), após a implementação obrigatória do Código Brasileiro de Governança Corporativa. Empregamos regressões multivariadas com dados em painel e efeitos fixos de empresa e de ano para testar uma interação tripla entre PFP, apetite ao risco do executivo e conformidade com a governança.

Resultados: Um elevado apetite ao risco do executivo fortalece os efeitos da PFP de curto prazo, mas reduz os da PFP de longo prazo, ao passo que a governança corporativa exerce o efeito oposto. A interação tripla mostra que uma governança robusta canaliza o alto apetite ao risco para um desempenho superior. A governança substitui os bônus de curto prazo e complementa os incentivos de longo prazo, assegurando a criação de valor sustentável.

Contribuições: Avançamos a Teoria da Agência e o Modelo de Agência Comportamental ao demonstrar que os mecanismos de governança canalizam o comportamento executivo. As evidências confirmam a eficácia da abordagem “pratique ou explique” do Código Brasileiro de Governança Corporativa e mostram que a adesão às melhores práticas aprimora a eficácia dos incentivos. Os sistemas de remuneração devem ser adaptados à maturidade da governança e às características dos executivos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Aguiar, A. B. D., & Pimentel, R. C. (2017). Remuneração de executivos e desempenho no mercado brasileiro: Relações contemporâneas e defasadas. Revista De Administração Contemporânea, 21(4), 545–568. https://doi.org/10.1590/1982-7849rac2017160228

Araújo, F. B., & Dos Anjos, L. C. M. (2025). Viés cognitivo e motivacional na tomada de decisão orçamentária: Evidências experimentais no setor público. Advances in Scientific and Applied Accounting. https://doi.org/10.14392/asaa.2024170311

Araujo, J. A. O., & Ribeiro, M. S. (2017). Trinta anos de pesquisa em remuneração executiva e retorno para o acionista. Revista De Educação E Pesquisa Em Contabilidade (REPeC), 11. https://doi.org/10.17524/repec.v11i0.1622

Armstrong, C. S., Glaeser, S., Huang, S., & Taylor, D. J. (2019). The economics of managerial taxes and corporate risk-taking. The Accounting Review, 94(1), 1–24. https://doi.org/10.2308/accr-52193

Azevedo, F. G. P., & Soares, R. O. (2025). The effect of CEO characteristics on executive compensation. Revista Contabilidade & Finanças, 36(99), e2189. https://doi.org/10.1590/1808-057x20252189.en

Baker, G. P., Jensen, M. C., & Murphy, K. J. (1988). Compensation and incentives: Practice vs. Theory. The Journal of Finance, 43(3), 593–616. https://doi.org/10.1111/j.1540-6261.1988.tb04593.x

Bebchuk, L. A., & Fried, J. M. (2005). Pay without performance: Overview of the issues. Journal of Applied Corporate Finance, 17(4), 8–23. https://doi.org/10.1111/j.1745-6622.2005.00056.x

Bedford, D. S. (2020). Conceptual and empirical issues in understanding management control combinations. Accounting, Organizations and Society, 86, 101187. https://doi.org/10.1016/j.aos.2020.101187

Beuren, I. M., da Silva, M. Z., & Mazzioni, S. (2014). Remuneração dos executivos versus desempenho das empresas. Revista De Administração FACES Journal, 13(2), 8–25.

Brandão, I. de F. (2019). Controle acionário e eficácia da adoção de práticas de governança corporativa: Uma análise da empresa brasileira. http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/46008

Campoi, D. G. S., & Telles, S. V. (2025). Os efeitos da adoção da IFRS-16 no value relevance do EBITDA: Um estudo sobre empresas latino-americanas de capital aberto. Advances in Scientific and Applied Accounting. https://doi.org/10.14392/asaa.2025180111

Chatterjee, A., & Hambrick, D. C. (2007). It’s all about me: Narcissistic chief executive officers and their effects on company strategy and performance. Administrative Science Quarterly, 52(3), 351–386. https://doi.org/10.2189/asqu.52.3.351

Christensen, E., Wuebker, R., & Wustenhagen, R. (2009). Of acting principals and principal agents: Goal incongruence in the venture capitalist-entrepreneur relationship. International Journal of Entrepreneurship and Small Business, 7(3), 367. https://doi.org/10.1504/IJESB.2009.023025

Cohen, S., Kadach, I., Ormazabal, G., & Reichelstein, S. (2023). Executive compensation tied to ESG performance: International evidence. Journal of Accounting Research, 61(3), 805–853. https://doi.org/10.1111/1475-679X.12481

Coles, J. L., Daniel, N. D., & Naveen, L. (2006). Managerial incentives and risk-taking. Journal of Financial Economics, 79(2), 431–468. https://doi.org/10.1016/j.jfineco.2004.09.004

Core, J., & Guay, W. (1999). The use of equity grants to manage optimal equity incentive levels. Journal of Accounting and Economics, 28(2), 151–184. https://doi.org/10.1016/S0165-4101(99)00019-1

Correia, L. F., Amaral, H. F., & Louvet, P. (2011). Um índice de avaliação da qualidade da governança corporativa no brasil. Revista Contabilidade & Finanças, 22(55), 45–63. https://doi.org/10.1590/S1519-70772011000100004

Dai, H., Robinson, D., & Shen, Y. (2025). CEO-employee pay disparity, risk-taking incentives, and financial reporting choices. Journal of Financial Stability, 81, 101476. https://doi.org/10.1016/j.jfs.2025.101476

Damodaran, A. (2012). Investment valuation: Tools and techniques for determining the value of any asset. John Wiley & Sons.

Dechow, P., Ge, W., & Schrand, C. (2010). Understanding earnings quality: A review of the proxies, their determinants and their consequences. Journal of Accounting and Economics, 50(2–3), 344–401. https://doi.org/10.1016/j.jacceco.2010.09.001

Donaldson, L. (2006). The contingency theory of organizational design: Challenges and opportunities. Em R. M. Burton, D. D. Håkonsson, B. Eriksen, & C. C. Snow (Org.), Organization design (V. 6, p. 19–40). Springer US. https://doi.org/10.1007/0-387-34173-0_2

DuoRu, D., Guo, M. C., & Wang, Z. M. (2021). Executive compensation level, executive characteristics and quality of internal control. E3S Web of Conferences, 292, 3019. https://doi.org/10.1051/e3sconf/202129203019

Ellig, B. R. (2022). The complete guide to executive compensation (4 edition, fully revised and expanded). McGraw Hill Education.

Fávero, L. P., & Belfiore, P. (2024). Manual de análise de dados: Estatística e modelagem multivariada com excel®, SPSS® e stata®. Elsevier Brasil.

Ferris, S. P., Javakhadze, D., & Rajkovic, T. (2017). CEO social capital, risk-taking and corporate policies. Journal of Corporate Finance, 47, 46–71. https://doi.org/10.1016/j.jcorpfin.2017.09.003

Firmino, A. L., & Peixoto, F. M. (2023). Relação entre a diversidade de gênero nos conselhos de empresas brasileiras com a adesão ao índice carbono eficiente. Advances in Scientific and Applied Accounting. https://doi.org/10.14392/asaa.2023160203

Francisco, A., & Caio Galdi, F. (2022). A relação entre lucro bruto, lucro operacional e lucro líquido e os retornos futuros no brasil. Advances in Scientific and Applied Accounting. https://doi.org/10.14392/asaa.2022150106

Friedrich, M. P., Zonatto, V. C. D. S., Lavarda, C. E. F., & Lunardi, M. A. (2023). Efeitos do empoderamento psicológico no comprometimento organizacional, ambiguidade de papéis e desempenho gerencial em ambiente de baixa participação orçamentária. Advances in Scientific and Applied Accounting. https://doi.org/10.14392/asaa.2023160210

Gao, L., Sheikh, S., & Zhou, H. (2023). Executive compensation linked to corporate social responsibility and firm risk. International Journal of Managerial Finance, 19(2), 269–290. https://doi.org/10.1108/ijmf-10-2021-0511

Geiler, P., & Renneboog, L. (2016). Executive remuneration and the payout decision. Corporate Governance: An International Review, 24(1), 42–63. https://doi.org/10.1111/corg.12127

Góis, A. D., Lima, G. A. S. F. D., De Luca, M. M. M., & Gotti, G. (2024). Personalidade dark tetrad e gerenciamento de resultados: O efeito moderador da reputação corporativa. Advances in Scientific and Applied Accounting. https://doi.org/10.14392/asaa.2024170209

Gomez-Mejia, L., & Wiseman, R. M. (1997). Reframing execufive compensation: An assessment and outlook. Journal of Management, 23(3), 291–374. https://doi.org/10.1177/014920639702300304

González, J. S., & García-Meca, E. (2014). Does corporate governance influence earnings management in latin american markets? Journal of Business Ethics, 121(3), 419–440. https://doi.org/10.1007/s10551-013-1700-8

Hambrick, D. C. (2007). Upper echelons theory: An update. Academy of Management Review, 32(2), 334–343. https://doi.org/10.5465/amr.2007.24345254

Hambrick, D. C., & Mason, P. A. (1984). Upper echelons: The organization as a reflection of its top managers. Academy of Management Review, 9(2), 193–208. https://doi.org/10.2307/258434

Hart, T. A., David, P., Shao, F., Fox, C. J., & Westermann-Behaylo, M. (2015). An examination of the impact of executive compensation disparity on corporate social performance. Strategic Organization, 13(3), 200–223. https://doi.org/10.1177/1476127015585103

Iglesias, T. M. G., Guimarães, T. M., & Rogers, P. (2024). Mulheres no conselho de administração e os impactos na remuneração dos executivos e performance de grandes empresas brasileiras. Advances in Scientific and Applied Accounting. https://doi.org/10.14392/asaa.2024170108

Jensen, M. C., & Meckling, W. H. (1976). Theory of the firm: Managerial behavior, agency costs and ownership structure. Journal of Financial Economics, 3(4), 305–360. https://doi.org/10.1016/0304-405x(76)90026-x

Jensen, M. C., & Murphy, K. J. (1990). Performance pay and top-management incentives. Journal of Political Economy, 98(2), 225–264. JSTOR. https://doi.org/10.1086/261677

Jin, Y. (2024). Management risk appetite, internal control and corporate financialization. Finance Research Letters, 63, 105393. https://doi.org/10.1016/j.frl.2024.105393

Krauter, E. (2013). Remuneração de executivos e desempenho financeiro: Um estudo com empresas brasileiras. Revista De Educação E Pesquisa Em Contabilidade (REPeC), 7(3). https://doi.org/10.17524/repec.v7i3.988

Larraza‐Kintana, M., Wiseman, R. M., Gomez‐Mejia, L. R., & Welbourne, T. M. (2007). Disentangling compensation and employment risks using the behavioral agency model. Strategic Management Journal, 28(10), 1001–1019. https://doi.org/10.1002/smj.624

Leal, P. H., & Anjos, L. C. M. D. (2023). Do corporate governance and managerial power induce abnormal CEO compensation contracts? An analysis of the brazilian market. Contaduría Y Administración, 69(4). https://doi.org/10.22201/fca.24488410e.2024.4973

Manso, G. (2011). Motivating innovation. The Journal of Finance, 66(5), 1823–1860. https://doi.org/10.1111/j.1540-6261.2011.01688.x

Marquezan, L. H. F., Velho, M. L. P., Souza, F. S. D., & Degenhart, L. (2023). Influência do conselho de administração e concentração acionária no desalinhamento entre remuneração executiva e desempenho. Contabilidade Gestão E Governança, 26(2), 181–212. https://doi.org/10.51341/cgg.v26i2.3063

Marquezan, L. H. F., Velho, M. L. P., & Zonatto, V. C. D. S. (2024). Influência do conselho de administração no desalinhamento entre remuneração executiva e desempenho organizacional. Revista Universo Contábil, 19(1). https://doi.org/10.4270/ruc.2023108

Morrison, E. A., Adu, D. A., & Guo, Y. (2024). Executive compensation, sustainable business practices and firm performance: A systematic literature review and future research agenda. Journal of Accounting Literature. https://doi.org/10.1108/jal-03-2023-0040

Mucci, D. M., Beck, F., & Frezatti, F. (2023). Funções de avaliação de desempenho e forecasting e o valor percebido com o orçamento. Advances in Scientific and Applied Accounting, 16(3). https://doi.org/10.14392/asaa.2023160302

Nascimento, M. R. D., Gonçalves, R. D. S., & Sousa, R. A. M. D. (2022). Valores éticos na organização e a qualidade da informação contábil. Advances in Scientific and Applied Accounting. https://doi.org/10.14392/asaa.2022150107

Olaniyi, C. O. (2023). Do the same executive compensation strategies and policies fit all the firms in the banking industry? New empirical insights from the CEO pay–firm performance causal nexus. Managerial and Decision Economics, 44(7), 4136–4160. https://doi.org/10.1002/mde.3934

Otley, D. (2016). The contingency theory of management accounting and control: 1980–2014. Management Accounting Research, 31, 45–62. https://doi.org/10.1016/j.mar.2016.02.001

Peng, S., Li, Z., Wei, X., & Liu, J. (2026). Executive risk preferences, supply chain finance depth, and corporate credit availability: An empirical analysis based on the mediating effect. Finance Research Letters, 90, 109213. https://doi.org/10.1016/j.frl.2025.109213

Pepper, A., & Gore, J. (2015). Behavioral agency theory: New foundations for theorizing about executive compensation. Journal of Management, 41(4), 1045–1068. https://doi.org/10.1177/0149206312461054

Pimenta, M. M. (2025). Do changes in accounting discretion affect earnings management? International evidence. Advances in Scientific and Applied Accounting. https://doi.org/10.14392/asaa.2024170302

Rouen, E. (2020). Rethinking measurement of pay disparity and its relation to firm performance. The Accounting Review, 95(1), 343–378. https://doi.org/10.2308/accr-52440

Rousseau, D., Kim, B. J., Splenda, R., Young, S., Lee, J., & Beck, D. (2023). Does chief executive compensation predict financial performance or inaccurate financial reporting in listed companies: A systematic review. Campbell Systematic Reviews, 19(4), e1370. https://doi.org/10.1002/cl2.1370

Rutherford, M. A., Buchholtz, A. K., & Brown, J. A. (2007). Examining the relationships between monitoring and incentives in corporate governance*. Journal of Management Studies, 44(3), 414–430. https://doi.org/10.1111/j.1467-6486.2007.00683.x

Santos, E. A. D., Lopes, I. F., Silva, S. L. H., Monteiro, J. J., & Lunkes, R. J. (2022). Sistemas de controle gerencial e eficácia de equipe: Os efeitos intervenientes do compartilhamento de informações e identificação organizacional. Advances in Scientific and Applied Accounting. https://doi.org/10.14392/asaa.2022150101

Sheth, A. (2014). The carrot: Executive compensation, risk-taking and innovation. SSRN Electronic Journal. https://doi.org/10.2139/ssrn.2632958

Shleifer, A., & Vishny, R. W. (1997). A survey of corporate governance. The Journal of Finance, 52(2), 737–783. https://doi.org/10.1111/j.1540-6261.1997.tb04820.x

Silva, F. F. D., & De Moura, A. A. F. (2022). Mulheres executivas evitam problemas financeiros? Advances in Scientific and Applied Accounting. https://doi.org/10.14392/asaa.2022150301

Velte, P. (2024). Archival research on sustainability‐related executive compensation. A literature review of the status quo and future improvements. Corporate Social Responsibility and Environmental Management, 31(4), 3119–3147. https://doi.org/10.1002/csr.2741

Wiseman, R. M., & Gomez-Mejia, L. R. (1998). A behavioral agency model of managerial risk taking. Academy of Management Review, 23(1), 133. https://doi.org/10.2307/259103

Wooldridge, J. M. (2010). Econometric analysis of cross section and panel data (2o ed.). MIT Press.

Publicado

2026-09-25

Como Citar

Moreira, L. T. V. B., & Aguiar, A. B. (2026). Equilíbrio Prudente de Tomada de Risco: Como a Governança Corporativa Canaliza o Apetite ao Risco do Executivo nos Sistemas de Remuneração Variável. Advances in Scientific and Applied Accounting, 19(1), 225–244/245. https://doi.org/10.14392/asaa.2026190108

Edição

Seção

ARTIGOS