O Viés do Status Quo nas Escolhas Contábeis dos Gestores na Ausência de Regulamentação Específica
DOI:
https://doi.org/10.14392/asaa.2025180308Palavras-chave:
Viés do status quo, Vieses comportamentais, Escolhas contábeis, Tributos sobre valor agregado, Ausência de regulamentação específicaResumo
Objetivo: O objetivo desta pesquisa é compreender o comportamento dos gestores em um ambiente de ausência de regulamentação contábil específica, analisando se esse cenário pode estimular a presença do viés do status quo nas escolhas contábeis relacionadas a um ativo com condições variáveis.
Desenho de pesquisa: O presente estudo foi desenvolvido por meio de uma combinação de estudos de caso e entrevistas semiestruturadas com gestores fiscais de empresas brasileiras de capital aberto e de capital fechado que apresentavam Crédito Acumulado de ICMS em suas operações. Os dados foram analisados por meio da análise de discurso e triangulados com as percepções de um auditor e de um analista de crédito acerca do comportamento dos gestores e das escolhas contábeis relacionadas ao ativo fiscal.
Resultados: Os resultados indicam que as decisões contábeis dos gestores em relação ao Crédito Acumulado de ICMS são influenciadas pelo viés do status quo, refletido em inconsistências entre discurso e ações, adesão a práticas anteriores e dependência de justificativas externas. O viés mostrou-se mais evidente em empresas de capital fechado, enquanto o monitoramento dos investidores em empresas de capital aberto tende a reduzir a inércia. No entanto, auditores e analistas de crédito frequentemente reforçam esse viés, em vez de mitigá-lo.
Contribuições: Este artigo contribui ao mostrar que o viés do status quo pode influenciar as decisões dos gestores em contextos de baixo enforcement, sugerindo que as explicações para as escolhas contábeis devem ir além da Teoria da Agência e incluir variáveis de Finanças Comportamentais. Os resultados também indicam que a Estrutura Conceitual por si só pode ser insuficiente para garantir relatórios financeiros de alta qualidade na ausência de normas específicas, destacando a necessidade de padronizar o tratamento contábil dos Tributos sobre Valor Agregado para melhorar a confiabilidade das informações.
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