Análise do porquê empresas brasileiras utilizam ações preferenciais
DOI:
https://doi.org/10.14392/asaa.2025180205Palavras-chave:
Estrutura de Propriedade, Dupla classe de ações, Informe do Código de GovernançaResumo
Objetivo: Essa pesquisa se baseia na Teoria da Agência e discuti sobre a estrutura de classe única de ações que proporciona menor desvio de direitos aos acionistas. Assim, tem como objetivo investigar as justificativas das empresas brasileiras de capital aberto para a não adoção do princípio “uma ação, um voto”.
Método: Foram analisadas 306 justificativas do Informe do Código de Governança de empresas listadas na [B]³ com ações preferenciais, de 2018 a 2020, através de codificação manual e do software MAXQDA. Também foram realizadas sete entrevistas semiestruturadas com representantes da área de RI analisadas via MAXQDA.
Resultado: No Informe, as empresas se justificam baseadas em normas e regulamentos que permitem a emissão de ações preferenciais (53%), apenas 8% mencionam razões para a não adoção, sendo a principal, manter controle. As entrevistas trouxeram novas descobertas ao observar que empresas utilizam ações PN devido à dificuldade e custos envolvidos para adotar apenas ações ordinárias e há previsão de custos após adoção da prática também. Além disso, afirmaram que essa estrutura favorece a visão de longo prazo e a manutenção do controle. Todas as empresas declararam não ter intenção na adoção e acreditam ser necessário manter ações preferenciais, pois há investidores que demandam essas ações.
Contribuições: A pesquisa indica que além de razões previstas na literatura há outros motivos pelos quais as empresas utilizam ações preferenciais, com isso, contribui trazendo mais informações para o órgão regulador, mercado e investidores. Para a literatura de Finanças, a abordagem multimétodo com entrevistas semiestruturadas gerou insights relevantes.
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