IFRS17: UMA PROPOSTA DE EVIDENCIAÇÃO DO PASSIVO DE SINISTROS INCORRIDOS EM NOTAS EXPLICATIVAS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14392/asaa.2024170205

Palavras-chave:

Seguros, IFRS17, Provisões Técnicas, Ajuste de Risco, Disclosure

Resumo

Objetivos: abordam-se os requerimentos de divulgacão em notas explicativas das demonstrações financeiras de companhias seguradoras, especificamente relacionados ao Passivo de Sinistros Incorridos (PSI) e Ajuste de Risco (AR), conforme o novo padrão contábil IFRS17 (CPC50). São propostos o tipo e forma de divulgação dos requisitos do IFRS17, bem como são sugeridas divulgações adicionais.

Método: adotando a classificação de Hendriksen e Van Breda (1999), definem-se o tipo e forma das divulgações requeridas pelo CPC50 (2021) relacionadas ao PSI e AR. Adicionalmente, sugerimos três divulgações complementares focadas em aspectos de risco. Para produção das divulgações foi mensurado o Fluxo de Caixa de Cumprimento (FCC) relativo ao PSI e seu respectivo AR. Utilizou-se modelagem estocástica (bootstrap) para estimar distribuições de probabilidade empíricas, e Value at Risk para obter o nível de confiança, com seu Expected Shortfall (perda esperada para além de um limiar) associado. Utilizaram-se dados reais de uma seguradora brasileira, compreendendo histórico de oito anos de sinistros de Seguros de Automóveis (Casco e Responsabilidade Civil Facultativa).

Resultados: Os resultados mostram a importância de medidas de risco de insuficiência de provisão, aspecto relevante para a gestão e transparência de divulgação em relatórios financeiros.

Contribuições: A IFRS17 estabelece novos princípios de reconhecimento, mensuração e evidenciação das informações financeiras de (res)seguradoras. Este novo padrão requer a mensuração e a evidenciação de Fluxos de Caixa de Cumprimento (FCC), compostos pelo valor presente esperado das obrigações atuariais adicionado de um Ajuste de Risco (AR), que incorpora a incerteza sobre sua realização. Adicionalmente, as notas explicativas sugeridas contribuem para aprimorar a capacidade do usuário da informação contábil em mensurar aspectos relacionados a risco e incerteza associada ao passivo das seguradoras.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Abdallah, A. A. N., Abdallah, W., & Salama, F. M. (2018). The Market Reaction to the Adoption of IFRS in the European Insurance Industry. Geneva Papers on Risk and Insurance: Issues and Practice, 43(4), 653–703. https://doi.org/10.1057/s41288-018-0088-1

Artzner, P., Delbaen, F., Eber, J. M., & Heath, D. (1999). Coherent Measures of Risk. Mathematical Finance, 9(3), 203–228. https://doi.org/10.1111/1467-9965.00068

Axiaq, K. (2020). The impact of IFRS17 on non-life insurance companies in Malta. https://www.um.edu.mt/library/oar/handle/123456789/65489

Ball, R. (2006). International financial reporting standards (IFRS): Pros and cons for investors. Accounting and Business Research, 36(SPEC. ISS), 5–27. https://doi.org/10.1080/00014788.2006.9730040

Carvalho, B. D. R., & Carvalho, J. V. F. (2019). Uma abordagem estocástica para a mensuração da incerteza das provisões técnicas de sinistros. Revista Contabilidade e Financas, 30(81). https://doi.org/10.1590/1808-057x201907860

Cazzari, R. B., & Moreira, G. R. F. (2022). Incerteza das Provisões de Sinistros a partir da Análise das Demonstrações Contábeis. Revista de Administração Contemporânea, 26(3). https://doi.org/10.1590/1982-7849rac2022200400.por

Costa, R. S. (2019). Estudo sobre notas explicativas [Dissertação de Mestrado-Universidade de São Paulo]. https://doi.org/10.11606/D.12.2019.tde-19092019-155033

Curvello, R. S. S., Rodrigues, A., & Macedo, M. A. S. (2018). Loss Reserve Error in the Brazilian Insurance Market: empirical evidence of the response to economic and tax regulations. Revista Brasileira de Gestão de Negócios, 20(4), 550–572. https://doi.org/10.7819/RBGN.V0I0.2942

Dahiyat, A., & Owais, W. (2021). The expected impact of applying IFRS (17) insurance contracts on the quality of financial reports. Accounting, 7, 581–590. https://doi.org/10.5267/j.ac.2020.12.021

Delong, L., Dhaene, J., Barigou, K., & Be, K. B. (2019). Fair valuation of insurance liability cash-flow streams in continuous time: Applications. ASTIN Bulletin: The Journal of the International Actuarial Association, 299–333. https://doi.org/https://doi.org/10.1017/asb.2019.8

Dreksler, S., Allen, C., Akoh-Arrey, A., Courchene, J. A., Junaid, B., Kirk, J., Lowe, W., O’dea, S., Piper, J., Shah, M., Shaw, G., Storman, D., Thaper, S., Thomas, L., Wheatley, M., & Wilson, M. (2015). Solvency II Technical Provisions for General Insurers. British Actuarial Journal, 20(1), 7–129. https://doi.org/10.1017/S1357321714000099

Dufrasne, L. (2020). IFRS17: a comparison with IFRS4 and an analysis of the impact of its application. http://hdl.handle.net/2078.1/thesis:23802

Eling, M. (2012). What Do We Know About Market Discipline in Insurance? Risk Management and Insurance Review, 15(2), 185–223. https://doi.org/10.1111/j.1540-6296.2012.01217.x

England, P. D., Verrall, R. J., & Wüthrich, M. V. (2019). On the lifetime and one-year views of reserve risk, with application to IFRS17 and Solvency II risk margins. Insurance: Mathematics and Economics, 85, 74–88. https://doi.org/10.1016/j.insmatheco.2018.12.002

Euphasio Junior, J. W., & Carvalho, J. V. F. (2022). Resseguro e Capital de Solvência: Atenuantes da Probabilidade de Ruína de Seguradoras. Revista de Administração Contemporânea, 26(1). https://doi.org/10.1590/1982-7849RAC2022200191.EN

Florou, A., & Pope, P. F. (2012). Mandatory IFRS Adoption and Institutional Investment Decisions. The Accounting Review, 87(6), 1993–2025. https://doi.org/10.2308/ACCR-50225

Foroughi, K., Barnard, C. R., Bennett, R. W., Clay, D. K., Conway, E. L., Corfield, S. R., Coughlan, A. J., Harrison, J. S., Hibbett, G. J., Kendix, I. V, Lanari-Boisclair, M., O’brien, C. D., & Straker, J. S. K. (2012). Insurance accounting: a new era? British Actuarial Journal, 17(3), 562–615. https://doi.org/https://doi.org/10.1017/S1357321712000189

Franklin, S. L., Duarte, T. B., Neves, C. R., & Melo, E. F. L. (2012). A estrutura a termo de taxas de juros no Brasil: Modelos, estimação e testes. Economia Aplicada, 16(2), 255–290. https://doi.org/10.1590/S1413-80502012000200003

George, E. T., Li, X., & Shivakumar, L. (2016). A review of the IFRS adoption literature. Review of Accounting Studies, 21(3), 898–1004. https://doi.org/10.1007/S11142-016-9363-1

Gordon, L. A., Loeb, M. P., & Zhu, W. (2012). The impact of IFRS adoption on foreign direct investment. Journal of Accounting and Public Policy, 31(4), 374–398. https://doi.org/10.1016/J.JACCPUBPOL.2012.06.001

Harrington, S. E. (2009). The Financial Crisis, Systemic Risk, and the Future of Insurance Regulation. Journal of Risk and Insurance, 76(4), 785–819. https://doi.org/10.1111/j.1539-6975.2009.01330.x

Healy, P. M., & Palepu, K. G. (2001). Information asymmetry, corporate disclosure, and the capital markets: A review of the empirical disclosure literature. Journal of Accounting and Economics, 31(1–3), 405–440. https://doi.org/10.1016/S0165-4101(01)00018-0

Hendriksen, E. S., & Van Breda, M. F. (1999). Teoria da contabilidade. Atlas.

Höring, D., & Gründl, H. (2011). Investigating risk disclosure practices in the european insurance industry. Geneva Papers on Risk and Insurance: Issues and Practice, 36(3), 380–413. https://doi.org/10.1057/gpp.2011.13

Houqe, N. (2018). A review of the current debate on the determinants and consequences of mandatory IFRS adoption. International Journal of Accounting & Information Management, 26(3), 413-442. https://doi.org/10.1108/IJAIM-03-2017-0034

IASB. International Accounting Standards Board. (2017). IFRS17. Insurance Contracts. https://www.ifrs.org/content/dam/ifrs/publications/pdf-standards/english/2021/issued/part-a/ifrs-17-insurance-contracts.pdf

Lourenço, I. M. E. C., & Castelo Branco, M. E. M. A. D. (2015). Main consequences of IFRS adoption: Analysis of existing literature and suggestions for further research. Revista Contabilidade e Finanças, 26(68), 126–139. https://doi.org/10.1590/1808-057x201500090

Macohon, E. R., Petry, J. F., & Fernandes, F. C. (2017). Elaboração do panorama do mercado segurador brasileiro em relação à regulamentação internacional de solvência. Revista Contemporânea de Contabilidade, 14(31), 127. https://doi.org/10.5007/2175-8069.2017v14n31p127

Malafronte, I., Starita, M. G., & Pereira, J. (2018). The Effectiveness of Risk Disclosure Practices in the European Insurance Industry. Review of Accounting and Finance, 17(1), 130-147. https://doi.org/10.1108/RAF-09-2016-0150

Mignolet, A., Promoteur, F., & Schumesch, P. (2017). A study on the expected impact of IFRS17 on the transparency of financial statements of insurance companies. Université de Liège, Liège, Belgique.

Monti, J. M., Oliveira, D. C. C., Carvalho, J. V. F., & Flores, E. (2023). Contratos de Seguro IFRS17-CPC50 (1st ed.). Editora Atlas.

Carvalho, J. V. F., & Oliveira, L. H. A. (2024). We are Living on the Edge: Managing Extreme‑Severity Claims Using Extreme Value Theory. Brazilian Business Review. https://doi.org/10.15728/bbr.2022.1245.en

Palmborg, L., Lindholm, M., & Lindskog, F. (2020). Financial position and performance in IFRS17. Scandinavian Actuarial Journal, 2021(3), 171-197. https://doi.org/10.1080/03461238.2020.1823464

Quarg, G., & Mack, T. (2004). Munich Chain Ladder. Blätter Der DGVFM, 26(4), 597–630.

Signorelli, T., Campani, C. H., & Neves, C. (2022). Abordagem direta para avaliar o ajuste de risco de acordo com a IFRS 17. Revista Contabilidade & Finanças, 33(90). https://doi.org/10.1590/1808-057X20221646.PT

Shapland, M. R. (2019). Cash Flow and Unpaid Claim Runoff Estimates Using Mack and Merz-Wüthrich Models.

Soderstrom, N. S., & Sun, K. J. (2007). IFRS adoption and accounting quality: A review. European Accounting Review, 16(4), 675–702. https://doi.org/10.1080/09638180701706732

Verrall, R. J., & Liu, H. (2010). Bootstrap Estimation of the Predictive Distributions of Reserves Using Paid and Incurred Claims. Variance, 4, 121–135.

Winkler, M., & Kansal, S. (2020). Actuarial Challenges and IFRS17. https://ssrn.com/abstract=3670808

Yousuf, W., Stansfield, J., Malde, K., Mirin, N., Walton, R., Thorpe, B., Thorpe, J., Iftode, C., Tan, L., Dyble, R., Pelsser, A., Ghosh, A., Qin, W., Berry, T., & Er, C. (2020). The IFRS17 contractual service margin: A life insurance perspective. In British Actuarial Journal. https://doi.org/10.1017/S1357321721000015

Zhao, Y., Mamon, R., & Xiong, H. (2021). Claim reserving for insurance contracts in line with the International Financial Reporting Standards 17: a new paid-incurred chain approach to risk adjustments. Financial Innovation, 7(1), 1–26. https://doi.org/10.1186/s40854-021-00287-5

Publicado

2024-12-02

Como Citar

Carvalho, B. D. R. de, & Carvalho, J. V. (2024). IFRS17: UMA PROPOSTA DE EVIDENCIAÇÃO DO PASSIVO DE SINISTROS INCORRIDOS EM NOTAS EXPLICATIVAS. Advances in Scientific and Applied Accounting, 17(2), 099–111/112. https://doi.org/10.14392/asaa.2024170205

Edição

Seção

ARTIGOS