CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA ATOR-REDE PARA COMPREENSÃO DO PARADOXO DA GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS

Autores

  • Simone Alves da Costa Trevisan Escola de Negócios
  • Beatriz Morgan Universidade de Brasília. Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade – FACE. Departamento de Ciências Contábeis e Atuariais – CCA. Campus Universitário Darcy Ribeiro

Palavras-chave:

Teoria Ator-Rede. Gestão Estratégica de Custos. Rede. Área de pesquisa.

Resumo

O objetivo deste estudo é analisar a contribuição dos conceitos da Teoria Ator-Rede (TAR) à construção da Gestão Estratégica de Custos (GEC) enquanto arcabouço teórico e área de pesquisa. Observa-se no atual momento da GEC que, apesar de ser considerada uma ferramenta de potencial incremento à competitividade, tem visto seu campo de estudo diminuir ao longo do tempo, além de ser alvo de contestações relacionadas ao seu framework, fatores que podem ser chamados paradoxais. Nesse contexto, entende-se que a TAR representa uma concepção teórica e prática que possibilita investigar essas questões, uma vez que traz conceitos que auxiliam potencialmente na compreensão das relações entre os atores e os mecanismos de construção de rede. A partir de estudos que abordam a prática da GEC, mais especificamente, seus instrumentos, por meio de conceitos da TAR, foi possível inferir proposições para futuros estudos. Primeiro, profissionais e acadêmicos poderiam estar tratando os instrumentos da GEC como se fossem munidos de funções intrínsecas, que independentemente das associações se manifestariam. Segundo, a filosofia da GEC carrega em si a sua contribuição para o futuro. Porém, a TAR mostra a instabilidade e variabilidade da construção dos fatos da rede da GEC, o que questiona a capacidade de se antecipar o futuro. Tais pontos poderiam também ser empecilhos à construção do coletivo, base para solidificação da GEC como área de pesquisa. Assim, sendo o movimento construído basicamente por mecanismos retóricos, há dificuldade em angariar visibilidade e convergência aos participantes da rede. Sugere-se a utilização deste arcabouço para a realização de pesquisas empíricas ou sua aplicação a outros fenômenos da Contabilidade Gerencial.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Simone Alves da Costa, Trevisan Escola de Negócios

Doutorado em Controladoria e Contabilidade - FEA/USP

Beatriz Morgan, Universidade de Brasília. Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade – FACE. Departamento de Ciências Contábeis e Atuariais – CCA. Campus Universitário Darcy Ribeiro

Doutorado em Controladoria e Contabilidade - FEA/USP

Referências

Afonso, P. S. L. P. (2007). Modelling the intertwined roles of institutional and technical environments in Management Accounting change (Doctoral Thesis). University of Manchester.

Alcouffe, S., Berland, N., & Levant, Y. (2008). Actor-networks and the diffusion of management accounting innovations: a comparative study. Management Accounting Research, 19(1), pp. 1–17.

Anderson, S. W. (2006). Managing costs throughout the value chain: research on strategic cost management. Handbook of Management Accounting Research, 2(October 2005).

Anderson, S. W., & Dekker, H. C. (2009). Strategic cost management in supply chains, part 1: Structural cost management. Accounting Horizons, 23(2), 201–220. http://doi.org/10.2308/acch.2009.23.2.201

Baxter, J., & Chua, W. F. (2003). Alternative management accounting research - whence and whither. Accounting, Organizations and Society, 28(2-3), pp. 97–126.

Berland, N., Joannides, V., & Levant, Y. (2010). Institutionalisation and deinstitutionalisation of budget. In European Accounting Association Congress.

Bhimani, A., & Gosselin, M. (2009). Cost management diversity in a global world: what we can learn? Cost Management, 23(5), pp. 29–33.

Bjørnenak, T. (2000). Understanding cost differences in the public sector- a cost drivers approach. Management Accounting Research, 11(2), pp. 193–211.

Bloom, N., & Reenen, J. Van. (2010). Why do management practices differ across firms and countries? Journal of Economic Perspectives, 24(1), pp. 203–224.

Böer, G. B. (2000). Management accounting education: yesterday, today, and tomorrow. Issues in Accounting Education, 15(2), pp. 313–334.

Borges Slavov, T. N. (2013). Gestão Estratégica de Custos: uma contribuição para a construção de sua estrutura conceitual (Tese de Doutorado). Universidade de São Paulo.

Briers, M., & Chua, W. F. (2001). The role of actor-networks and boundary objects in management accounting change: a field study of an implementation of activity-based costing. Accounting, Organizations and Society, 26, pp. 237–269.

Callon, M. (1986). Some elements of a sociology of translation: domestication of the scallops and the fishermen of St Brieuc Bay. In Power, action and belief: a new sociology of knowledge? (Routledge, pp. 196–223). London.

Callon, M. (1991). Techno-economic networks and irreversibility. In J. Law (Ed.), A sociology of monsters: Essays on power, technology and domination. London.

Callon, M., & Muniesa, F. (2005). Peripheral vision: economic markets as calculative collective devices. Organization Studies, 26(8), pp. 1229–1250.

Chenhall, R. H. (2008). Accounting for the horizontal organization: a review essay. Accounting, Organizations and Society, 33(4-5), pp. 517–550.

Cooper, R. (1997). What the interaction between management accounting and cost management means to CPAs in finance. Journal of Accountancy, 2–5.

Chua, W. F. (2011). In Search of “successful” accounting research. European Accounting Review, 20(1), pp. 27–39.

Demo, P. (2012). Ciência Rebelde: Para continuar aprendendo, cumpre desestruturar-se. São Paulo: Editora Atlas.

Dugdale, D., Jones, T., & Green, S. (2006). Contemporary management accounting practices in uk manufacturing. London: CIMA Publishing.

Ekbatani, M. A., & Sangeladji, M. A. (2008). Traditional vs. contemporary managerial/cost accounting techniques differences between opinions of educators and practitioners. International Business & Economics Research Journal, 7(1), pp. 93–112.

El Kelety, I. A. E. M. A. (2006). Towards a conceptual framework for strategic cost management - the concept, objectives, and instruments. Universit"atsbibliothek der Technischen Universit"at. Retrieved from http://deposit.ddb.de/cgi-bin/dokserv?idn=980955033&dok_var=d1&dok_ext=pdf&filename=980955033.pdf

El-Dyasty, M. M. (2007). A framework to accomplish strategic cost management. SSRN Electronic Journal.

Ellram, L. M., & Stanley, L. L. (2008). Integrating strategic cost management with a 3dce environment: strategies, practices, and benefits. Journal of Purchasing and Supply Management, 14(3), pp. 180–191.

Emsley, D. (2008). Different interpretations of a “fixed” concept: examining Juran’s cost of quality from an actor-network perspective. Accounting, Auditing & Accountability Journal, 21(3), pp. 375–397.

Ernst &Young, & IMA, I. of M. A. (2003). Survey of Management Accounting.

Gao, P. (2005). Using actor-network theory to analyse strategy formulation. Information Systems Journal, 15(3), pp. 255–275.

Heckmann, P., Konik, F., Samakh, E., & Weissbarth, R. (2009). Restructuring in 2009 understanding and responding to the crisis.

Hoffjan, A., & Wompener, A. (2006). Comparative analysis of strategic management accounting in german and english language general management accounting textbooks. Schmalenbach Business Review, 58(July), pp. 234–259.

Hui, D. (2012). Actor-network theory analysis of the budgetary process in the New Zealand school sector. Auckland University of Technology.

Ittner, C. D., & Larcker, D. F. (2001). Assessing empirical research in managerial accounting: A value-based management perspective. Journal of Accounting and Economics, 32(1-3), pp. 349–410.

Joannides, V., & Berland, N. (2013). Constructing a research network: accounting knowledge in production. Accounting, Auditing & Accountability Journal, 26(4), pp. 512–538.

Johnson, H. T., & Kaplan, R. S. (1987). Relevance lost: the rise and fall of management accounting. (H. B. S. Press, Ed.). Massachusetts.

Jones, T. C., & Dugdale, D. (2000). The making of “New”Management Accounting: A comparative analysis of ABC and TOC. In Interdisciplinary Perspectives on Accounting Conference (pp. 0–28). Manchester.

Jones, T. C., & Dugdale, D. (2002). The ABC bandwagon and the juggernaut of modernity. Accounting, Organizations and Society, 27, pp. 121–163.

Justesen, L., & Mouritsen, J. (2011). Effects of actor-network theory in accounting research. Accounting, Auditing & Accountability Journal, 24(2), pp. 161–193.

Langfield-Smith, K. (2008). Strategic management accounting: how far have we come in 25 years? Accounting, Auditing & Accountability Journal, 21(2), pp. 204–228.

Latour, B. (2000). Ciência em ação – como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora (UNESP). São Paulo.

Latour, B. (2001). A esperança de Pandora: ensaios sobre a realidade dos estudos científicos. (EDUSC). São Paulo.

Latour, B. (2004). Whose cosmos, which cosmopolitics? - comments on the peace terms of Ulrich Beck. In Common Knowledge. Duke University Press.

Latour, B. (2005). Reassembling the Social: an introduction to actor-network-theory. New York: Oxford University Press.

Latour, B. (2006). Como terminar uma tese de sociologia: pequeno diálogo entre um aluno e seu professor (um tanto socrático). Cadernos de Campo, 14/15.

Lowe, A. (2001). After ANT - An illustrative discussion of the implications for qualitative accounting case research. Accounting, Auditing & Accountability Journal, 14(3), pp. 327–351.

McNair, C., L. Polutnik and R. Silvi (2001). Cost management and value

creation: the missing link. The European Accounting Review, 10(1), pp. 33-50.

Meira, J., Kartalis, N. D., Tsamenyi, M., & Cullen, J. (2010). Management controls and inter-firm relationships: a review. Journal of Accounting & Organizational Change, 6(1), pp. 149–169.

Mouritsen, J. (1999). The flexible firm - strategies for a subcontractor’s management control. Accounting, Organizations and Society, 24, 31–55.

Ohlson, J. A. (2011). On Successful Research. European Accounting Review, 20(1), pp. 7–26.

Porter, M. (1985). Competitive Advantage: creating and sustaining superior performance. New York: The Free Press.

Qu, Q. (2006). The construction and customization of the Balanced Scorecard: a field study of management consultants in translating popular management accounting techniques. University of Alberta.

Robson, K. (1992). Accounting numbers as “inscription”: action at a distance and the development of accounting. Accounting, Organizations and Society, 17(7), pp. 685–708.

Shank, J. K. (2006). Strategic cost management: upsizing, downsizing, and right sizing. In A. Bhimani (Ed.), Contemporary issues in management accounting. Oxford University Press. Retrieved from http://priatakberistri.com/download/accounting/Contemporary Issues in Management Accounting.pdf#page=372

Shank, J. K., & Govindarajan, V. (1997). A revolução dos custos: como reinventar e redefinir sua estratégia de custos para crescer em mercados crescentemente competitivos. Rio de Janeiro: Elsevier.

Star, S. L.., Griesemer, J. R. (1989) Institutional ecology, ‘translations’ and boundary objects: amateurs and professionals in Berkeley’s Museum of Vertebrate Zoology, 1907-39. Social Studies of Science, 19 (3), pp. 387-420.

Tan, L. M., Fowler, M. B., & Hawkes, L. (2004). Management accounting curricula: striking a balance between the views of educators and practitioners. Accounting Education, 13(1), pp. 51–67.

Zawawi, N. H. M., & Hoque, Z. (2010). Research in management accounting innovations An overview of its recent development. Qualitative Research in Accounting & Management, 7(4), pp.505–568.

Publicado

01/09/2017

Como Citar

Costa, S. A. da, & Morgan, B. (2017). CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA ATOR-REDE PARA COMPREENSÃO DO PARADOXO DA GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS. Advances in Scientific and Applied Accounting, 10(2), 137–157. Recuperado de https://asaa.anpcont.org.br/index.php/asaa/article/view/278

Edição

Seção

EDIÇÃO ESPECIAL